
Testosterona feminina na menopausa: quando e por que indicar
A testosterona não é só hormônio masculino. A Dra. Thaís Cunha explica o papel da testosterona na saúde da mulher e quando sua reposição pode ser indicada na menopausa.
6/11/20262 min read
Quando falo em testosterona no consultório, a reação mais comum é surpresa. "Mas isso não é hormônio masculino?"
Sim — e também é feminino. E sua queda durante a menopausa passa despercebida por muitas mulheres e, infelizmente, por muitos médicos também.
O papel da testosterona na saúde da mulher
As mulheres produzem testosterona nos ovários e nas glândulas suprarrenais em quantidades menores que os homens — mas esse hormônio tem papel fundamental em diversas funções:
Desejo sexual e resposta à excitação
Energia, disposição e motivação
Massa muscular e densidade óssea
Cognição e humor
Sensibilidade genital e qualidade do orgasmo
A produção de testosterona começa a declinar ainda antes da menopausa — por volta dos 40 anos — e cai de forma mais acentuada após a menopausa cirúrgica (retirada dos ovários).
Quando suspeitar de deficiência androgênica?
Os sinais são sutis e frequentemente confundidos com depressão ou "estresse":
Queda acentuada do desejo sexual sem causa aparente (descartado outras causas)
Fadiga persistente mesmo com sono adequado
Dificuldade de concentração e névoa mental
Perda de massa muscular mesmo com exercício regular
Sensação de que "a energia simplesmente foi embora"
O diagnóstico é clínico — feito com base nos sintomas — associado à dosagem laboratorial de testosterona total e livre.
Como é feita a reposição?
No Brasil, a testosterona feminina é prescrita em doses muito menores do que as masculinas, geralmente na forma de:
Gel ou creme de uso tópico: aplicado diariamente em áreas de pele fina, como o antebraço interno ou abdômen.
Implante subcutâneo (pellet): inserido sob a pele com liberação contínua por 3 a 6 meses — elimina a necessidade de uso diário.
A dose é individualizada e monitorada com exames periódicos para evitar níveis suprafisiológicos — que podem causar acne, aumento de pelos e alterações de voz.
Testosterona e libido: o que esperar?
Os estudos são consistentes: a reposição de testosterona em mulheres com deficiência androgênica melhora significativamente o desejo sexual, a satisfação e o bem-estar geral. Não é efeito placebo — é fisiologia.
Mas é importante ter expectativas realistas: a testosterona restaura a base biológica do desejo. Questões emocionais ou relacionais pedem um olhar complementar — e muitas vezes, as duas coisas precisam caminhar juntas.
Testosterona faz parte do protocolo de TRH?
Nem sempre — mas pode ser incluída quando há indicação clínica. Ela costuma ser associada ao estrogênio e à progesterona dentro de um protocolo mais completo, especialmente em mulheres que já estão em TRH mas ainda relatam fadiga, baixa libido ou perda de massa muscular.
Se você ainda não leu meu post sobre TRH na prática, vale a leitura — ele explica como funciona a personalização do tratamento hormonal como um todo.
Uma palavra sobre segurança
Quando usada em doses fisiológicas femininas e com acompanhamento médico adequado, a testosterona tem bom perfil de segurança. Os principais riscos estão associados ao uso em doses excessivas ou sem monitoramento — por isso a automedicação é absolutamente contraindicada.
A testosterona feminina ainda é subutilizada — e muitas mulheres sofrem desnecessariamente por falta de diagnóstico. Se você se identificou com algum dos sintomas descritos aqui, essa conversa merece um espaço na sua próxima consulta.
Sentir-se bem, ter energia e desejo de viver plenamente não é luxo — é parte do cuidado com a sua saúde.
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Dra. Thaís Cunha
Saúde da Mulher e Cuidado Integral
(16) 99795-0265
