
Implanon: o que é, como funciona e para quem é indicado
A Dra. Thaís Cunha explica tudo sobre o Implanon — o implante contraceptivo subcutâneo de etonogestrel: como funciona, duração, efeitos colaterais e para quem é indicado.
5/7/20265 min read
Se você já ouviu falar no Implanon mas ainda tem dúvidas sobre o que ele é, como funciona ou se é a opção certa para você, este post foi escrito para isso.
O Implanon é um dos métodos contraceptivos mais eficazes disponíveis hoje — e ainda assim um dos menos conhecidos entre as mulheres brasileiras. Vamos mudar isso.
O que é o Implanon?
O Implanon é um implante contraceptivo subcutâneo — um pequeno bastão flexível, com cerca de 4cm de comprimento e 2mm de diâmetro, do tamanho aproximado de um palito de fósforo. Ele é inserido sob a pele da face interna do braço não dominante por um médico habilitado, por meio de um aplicador especial, sem necessidade de incisão cirúrgica.
Diferentemente dos implantes hormonais bioidênticos utilizados na menopausa — que são bioabsorvíveis e se dissolvem gradualmente — o Implanon é um implante não absorvível, ou seja, precisa ser retirado ao final do período de uso, que é de até 3 anos.
Seu princípio ativo é o etonogestrel, um progestagênio sintético derivado do desogestrel, com alta seletividade para os receptores de progesterona e baixa atividade androgênica.
Como o Implanon funciona?
O Implanon age por três mecanismos principais:
Inibição da ovulação — o etonogestrel suprime o pico de LH responsável pela ovulação, impedindo que o óvulo seja liberado. Esse é o mecanismo central e o mais importante para a eficácia contraceptiva.
Espessamento do muco cervical — torna o muco do colo do útero mais espesso e viscoso, dificultando a penetração e movimentação dos espermatozoides.
Alteração do endométrio — modifica o revestimento interno do útero, tornando-o menos receptivo à implantação, caso haja fertilização.
A combinação desses três mecanismos confere um dos métodos mais seguros disponíveis, comparável à laqueadura tubária, mas com total reversibilidade.
Qual a diferença entre Implanon e Implanon NXT?
O Implanon NXT é a versão mais atual do implante, comercializada no Brasil desde 2010. A diferença em relação ao modelo original está no aplicador — o NXT possui um sistema de inserção mais simples, seguro e padronizado, que facilita o procedimento e permite a visualização por ultrassom, caso necessário. O princípio ativo, a dose e a eficácia são idênticos.
Quanto tempo dura o Implanon?
O Implanon tem duração de até 3 anos. Após esse período, o implante deve ser retirado — e um novo pode ser inserido imediatamente, se a mulher desejar continuar com o método.
A reversibilidade é rápida: após a retirada, a ovulação retorna em média dentro de 3 a 4 semanas, e a fertilidade é restaurada rapidamente — sem impacto sobre a capacidade reprodutiva futura.
Como é feita a inserção?
O procedimento é simples, rápido e realizado em consultório, sem necessidade de centro cirúrgico ou internação.
Após anestesia local com lidocaína na face interna do braço, o implante é inserido com um aplicador descartável, logo abaixo da pele. O procedimento dura poucos minutos e é praticamente indolor após a anestesia. Ao final, é colocado um curativo compressivo que deve ser mantido por 24 horas.
Após a inserção, é possível palpar o implante sob a pele — o que confirma o posicionamento correto. Em casos de dúvida, a localização pode ser confirmada por ultrassom.
Quando inserir:
Nos primeiros 5 dias do ciclo menstrual — não requer método de barreira adicional
Imediatamente após aborto ou parto (inclusive em mulheres que amamentam — o etonogestrel não interfere na lactação)
Após uso de anticoncepcional hormonal — com intervalo adequado orientado pela sua médica
Quais são os benefícios do Implanon?
Eficácia superior a 99% É um dos métodos contraceptivos mais eficazes disponíveis — com índice de Pearl próximo a zero, superando até mesmo o uso perfeito da pílula.
Praticidade total Inserido uma vez, protege por até 3 anos sem que a mulher precise se lembrar de nada. Sem comprimido diário, sem adesivo semanal, sem injeção mensal.
Não interfere na relação sexual O implante não é percebido durante a relação e não requer nenhuma ação antes ou depois do sexo.
Compatível com amamentação Por não conter estrogênio, o Implanon é seguro para mulheres que estão amamentando — diferentemente da pílula combinada.
Reversibilidade imediata Ao contrário da laqueadura, o Implanon é completamente reversível. A fertilidade retorna rapidamente após a retirada.
Pode reduzir cólicas e fluxo menstrual Muitas mulheres relatam redução das cólicas e do fluxo menstrual durante o uso — e algumas chegam à amenorreia (ausência de menstruação), o que para muitas é considerado um benefício adicional.
Quais são os efeitos colaterais?
O principal ponto de atenção com o Implanon é a irregularidade menstrual — e é importante que a mulher esteja preparada para isso antes de optar pelo método.
Os padrões de sangramento mais comuns durante o uso são:
Amenorreia (ausência de menstruação) — ocorre em cerca de 20% das usuárias
Sangramento infrequente — ciclos longos ou esporádicos
Sangramento frequente ou prolongado — ciclos curtos ou manchas frequentes
Sangramento irregular — sem padrão previsível
Esses padrões tendem a se estabilizar com o tempo, mas para algumas mulheres a imprevisibilidade pode ser incômoda. Por isso, a conversa antes da inserção é fundamental: entender o que esperar faz toda a diferença na satisfação com o método.
Outros efeitos relatados com menos frequência incluem acne, cefaleia, sensibilidade nas mamas, alterações de humor e, em alguns casos, ganho de peso — embora as evidências sobre esse último ponto sejam inconsistentes na literatura.
Reações no local de inserção, como hematoma ou desconforto local, são geralmente leves e transitórias.
Quem pode usar o Implanon?
O Implanon é uma excelente opção para mulheres que:
Querem um método contraceptivo altamente eficaz e de longa duração
Têm dificuldade de adesão a métodos diários
Estão amamentando
Têm contraindicação ao uso de estrogênio — como histórico de trombose, enxaqueca com aura ou hipertensão não controlada
Desejam reversibilidade rápida no futuro
Implanon tem idade certa para usar?
Não existe uma idade mínima ou máxima definida para o uso do Implanon — o que existe é uma avaliação individualizada.
O método é amplamente utilizado em adolescentes e mulheres jovens, justamente pela praticidade e pela altíssima eficácia, sem depender da adesão diária. É uma opção especialmente interessante para mulheres que ainda não tiveram filhos, já que não interfere na fertilidade futura e pode ser retirado a qualquer momento.
Em mulheres acima dos 40 anos, que ainda estão no período reprodutivo mas já percebem as primeiras alterações do climatério, o Implanon pode ser uma excelente escolha: além de garantir a contracepção — que ainda é necessária até 12 meses após a última menstruação, confirmando a menopausa —, o etonogestrel pode contribuir para a redução de cólicas e irregularidades menstruais comuns nessa fase de transição.
É importante destacar, porém, que o Implanon não substitui a terapia hormonal da menopausa: ele não contém estrogênio e, portanto, não trata os fogachos, o ressecamento vaginal, a perda óssea ou os demais sintomas do hipoestrogenismo.
Mulheres que chegam à menopausa usando o Implanon geralmente precisam de uma conversa com sua médica para avaliar o momento certo de transição para um protocolo de TRH completo — que pode, inclusive, incluir os implantes hormonais bioidênticos de estradiol e testosterona que já abordamos em outro post aqui no blog.
Quem não deve usar o Implanon?
Apesar de suas vantagens, o Implanon tem contraindicações que precisam ser avaliadas individualmente:
Sangramento vaginal de causa não investigada
Histórico de trombose venosa profunda ou embolia pulmonar ativa
Doença hepática grave ou ativa
Hipersensibilidade ao etonogestrel
Suspeita ou confirmação de gestação
Câncer de mama atual ou histórico recente
Algumas medicações também podem reduzir a eficácia do implante — como anticonvulsivantes, rifampicina e alguns antirretrovirais. Informe sempre seu médico sobre todos os medicamentos em uso.
Escolher um método contraceptivo é uma decisão que merece tempo, informação e uma boa conversa com sua médica. Cada detalhe do seu histórico importa — e cada escolha é sua.
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Dra. Thaís Cunha
Saúde da Mulher e Cuidado Integral
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